A
única SM fabricada neste modelo, é tratada com todo carinho que
merece pelo seu proprietário, Carlos Alberto, em Brasília.
Segundo o Carlos, o carro tem excelente dirigibilidade. Usa
amortecedores reguláveis Kone na dianteira e originais SM (ALFA
TI) na traseira. As molas foram feitas na "Molas Tigre"
aqui no Rio, segundo as especificações do próprio Carlos
Alberto, que mandou fazer com menos voltas para terminar com o
problema de bater os elos.
Quanto ao desempenho e consumo, duas frases que resumem tudo que
se precisa saber:
"...câmbio
longo do Omega, levanta o nariz e não abaixa enquanto você não
aliviar o pé..."
"Se você
apertar mesmo o pé, a injeção lê sua intenção, e ela sai
cantando pneu até a 3a."
A história
contada pelo próprio:
Vou tentar resumir a
história do 97. Começou em 1990, quando estava morando em Santos
e comprei o meu primeiro carro SM. Era zero, de uma edição
limitada e destinada a reimpulsionar a fabricação, o que todos
sabemos que acabou não acontecendo. Era vermelho, e aí vão
algumas fotos. Aquele carro hoje não está mais no estado
original. Na mesma loja, havia um conversível branco, zero. Hoje
ele pertence a meu filho, Rafael. Deste ainda não temos fotos.
Quando tiver, mandamos.
Quando meu SM 90 estava com 2.400 km, jogaram uma carreta na minha
frente, e como a válvula compensadora do freio tinha vindo de
fábrica com defeito, achei o muro da Anchieta. Embora o carro
tenha ficado torto e com algumas poucas peças quebradas (eu vinha
a uns 140), nada sofri. Na autorizada me disseram que só poderia
consertar na fábrica, e me indicaram o Juca, da Tisskel. Mandei o
carro para lá, e comprei um chassis e carroceria novos na
fábrica, que colocou o mesmo número anterior, e o Juca desmontou
o batido e remontou na carroceria nova. Foi meu primeiro contato
com a fábrica, que já estava nas mãos da Associação ou
Sindicato ou covil parecido.
Durante o processo demorado de remontagem do carro (a seguradora
enrolou bastante), o Juca, amigo do Dr. Humberto, emprestou
algumas peças do meu carro para serem colocadas em outro que
estava sendo fabricado. A devolução foi complicada, e só saiu
porque eu fui lá com cara de poucos amigos e disposto a armar um
salseiro inesquecível. Esta parte da história acabou em
1991.
Em 1993, o Juca me telefonou (ficamos amigos) dizendo que a
fábrica tinha nova direção, com o Celso Jacob (hoje meu amigo e
Prefeito de Três Rios) e que queria reiniciar a fabricação dos
carros. Fui até lá, gostei da cara do Celso, e fizemos um acordo
verbal para a construção de um novo carro, e possivelmente a
fabricação de mais cinco por mês. Aí começou a outra
história.
Em novembro pedimos as primeiras peças, do Omega 3.0, que era o
top da GM na época: motor, câmbio, diferencial, suspensão
traseira, direção e outras que já não me lembro mais. O
responsável pelo setor de automóvel era o Flávio Monerat, outro
amigo, hoje meio sumido. A grande expectativa era a de que a
suspensão não caberia no carro, mas quando chegou, todos
acreditaram no que eu já sabia: entrou que nem uma luva velha: de
prima e sem esforço. Explico minha teoria: o Omega era sucessor
do Opel Rekord, nada mais nada menos que nosso Opala. Alguma
semelhança tinha que haver, e eu achava que tudo ia se encaixar.
Estava certo. Apenas a suspensão dianteira não pode ser
aproveitada, por excesso de altura do Omega (O SM não tem excesso
nem falta de nada!!!). Assim, fui definindo com o modelador o
desenho do carro, que ele ia executando no molde de massa do
modelo anterior, que ainda estava lá. Terminada esta parte, foi
feito em cima deste molde a forma do carro - apenas a parte da
frente e da traseira, que eram totalmente novas. As formas novas
foram então flangeadas na forma antiga, e tirada a carroceria em
fibra. O capô é o mesmo anterior, bem como as portas. Só mudou
a tampa do porta malas. Os flanges das guarnições de borracha
foram colocados mais para fora, de modo que os vidros ficaram
zerados com a carroceria, e o para brisas e o vidro traseiro foram
colados, tudo com o intuito de diminuir o arrasto aerodinâmico (e
o barulho) e aumentar a resistência da carroceria. Todos os
vidros são os mesmos dos modelos anteriores (para brisa do
Opala).
Na parte do chassis, fiz uma completa remodelação do porta
malas, com a substituição do tanque de 85 por um de 65 litros,
que é liso em cima. o estepe é de carro americano, pequeno e
fino, ficando acomodado verticalmente à esquerda do porta malas,
praticamente invisível. Ficou um verdadeiro salão, e o Juca
inventou uns bancos rebatíveis incríveis, que aumentam ainda
mais a comodidade para levar qualquer coisa. A sogra pode ir
deitada no porta malas, não precisa mais ir dentro da
cabine!
As laterais das portas foram modificadas, dando mais espaço para
os braços. O túnel central é bem menor, devido ao tamanho do
câmbio, o que deu muito mais espaço para pés e pernas: tiramos
aproximadamente9 cm de cada lado do túnel, e talvez uns 15 da
altura. O túnel acaba junto ao banco do motorista, o carro ficou
liso atrás. Fizemos reforços estruturais no chassis, para
sustentação do diferencial, que é fixo, com a suspensão
traseira independente e para diminuir a torção, colocando
travessas em duplo T na traseira, e treliçada em baixo do painel,
além de maior estruturação na parte superior da traseira.
Na mecânica, nada de mais, além da ginástica no ar condicionado
(a caixa do Omega é quase do tamanho do SM!) que resolvemos
adotando a do Vectra, totalmente despida. Ficaram apenas a caixa
defletora, que distribui o fluxo de ar, a ventoinha - alojada em
caixa de fibra, que nos deu uma surra de três meses para ficar
operante - e a caixa de refrigeração. O condensador é do Omega.
A bateria que coube foi de 55 amperes, que atende bem. No mais,
apenas o encurtamento do cardã e a confecção de cubos para as
rodas dianteira, "Opala por dentro e Omega por fora" com
o ABS instalado sem problemas. As rodas são aro 16, pneus
225X55X16, volante momo. Parte elétrica toda original do CD, com
painel digital, computador de bordo, e tudo mais do CD, inclusive
ar condicionado dentro do porta luvas. Resumindo: uma jóia
única, que ainda não acabei de lapidar. Foram 3 anos e dois
meses dentro da fábrica e mais seis no galpão do Flávio, onde
ele fabricava caixas d'água de fibra de vidro. Mas valeu!!! A
emoção não me deixa lembrar de mais nada. Paro de escrever.
Este texto pode ser reproduzido e
repassado a qualquer interessado. Abraço do Carlos Alberto
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